Rodrigo Foureaux e Luiz Paulo Spinola
| Código Penal Militar (Antes da Lei n. 14.688/2023) | Código Penal Militar com a nova redação (Lei n. 14.688/2023) |
| Art. 99. A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a dois anos, e importa a perda das condecorações. | Art. 99. A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a 2 (dois) anos, por crimes comuns e militares, e importa a perda das condecorações, desde que submetido o oficial ao julgamento previsto no inciso VI do § 3º do art. 142 da Constituição Federal. |
A perda do posto e da patente, como pena acessória e efeito automático da condenação (art. 99 c/c art. 107, ambos do CPM), desde o seu nascimento, quando já estava vigente a Emenda Constitucional n. 1, de 17 de outubro de 1969, era inconstitucional, na medida em que a perda do posto e da patente estava condicionada à decisão de tribunal militar[1], o que se manteve diante da Constituição Federal de 1988[2].
Não obstante a clareza do Texto Constitucional, que os oficiais somente perderão o posto e a patente perante o tribunal militar (onde houver), ainda que nas condenações na justiça comum, o Supremo Tribunal Federal[3] e o Superior Tribunal de Justiça[4] entendiam que no caso de condenação por crime comum, cabe à Justiça Comum decretar a perda do cargo público com base no disposto no art. 92, I, b, do Código Penal.
A forma como o art. 99 estava redigindo permitia interpretar que a condenação a pena privativa de liberdade, em razão de crime militar, por tempo superior a dois anos tinha como consequência automática a perda do posto, o que contraria a Constituição Federal.
O art. 99 foi alterado para se ajustar à Constituição Federal (art. 142, § 3º, VI e VII) e ao que foi pacificado pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.200).
Art. 142. (…)
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições:
VI – o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
VII – o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
A Lei n. 14.751/2023 – Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios – previu como garantia dos oficiais no inciso XVI do art. 18 a “perda do posto e da patente, em qualquer hipótese, somente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão do Tribunal de Justiça Militar, onde este existir, ou do Tribunal de Justiça da unidade federada, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra, mediante representação pela autoridade competente, nos termos do § 1º do art. 42 e dos incisos VI e VII do § 3º do art. 142 da Constituição Federal”.
O Supremo Tribunal Federal[5], em 26 de junho de 2023, proferiu importante decisão acerca da perda do posto (oficiais) e da graduação (praças) de militares (Tema 1.200 – ARE 1320744).
As teses fixadas no Tema 1.200 foram as seguintes:
1) A perda da graduação da praça pode ser declarada como efeito secundário da sentença condenatória pela prática de crime militar ou comum, nos termos do art. 102 do Código Penal Militar e do art. 92, I, “b”, do Código Penal, respectivamente.
2) Nos termos do artigo 125, §4º, da Constituição Federal, o Tribunal de Justiça Militar, onde houver, ou o Tribunal de Justiça são competentes para decidir, em processo autônomo decorrente de representação do Ministério Público, sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças que teve contra si uma sentença condenatória, independentemente da natureza do crime por ele cometido.
Nota-se a clareza do Texto Constitucional ao mencionar “só” e ao determinar o julgamento da perda do posto e da patente à condenação na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado.
Isto é, o Oficial de Instituição Militar somente estará sujeito a perder o posto e a patente por julgamento de tribunal militar nas condenações criminais cuja pena privativa de liberdade seja superior a dois anos e após a sentença transitar em julgado.
A Constituição não contém palavras inúteis e ao utilizar o advérbio “só” foi muito clara ao condicionar a perda do posto e da patente ao julgamento da indignidade ou incompatibilidade para o oficialato.
A dicotomia entre justiça comum e militar contida no inciso VII, do § 3º, do art. 142 da Constituição permite afirmar que a expressão justiça comum contém, além da justiça comum propriamente dita (justiça estadual e federal), a justiça eleitoral, uma vez que a Constituição não criou uma imunidade para que um oficial fosse condenado a qualquer pena na justiça eleitoral sem risco de perder o posto e a patente, devendo-se aplicar o mesmo raciocínio quando a Constituição trata da matéria de competência para processar e julgar autoridades que possuam foro por prerrogativa de função ao mencionar “crimes comuns”, o que abrange inclusive os crimes eleitorais.[6]
O termo “justiça comum” está empregado em sentido amplo e o inciso VII, do § 3º, do art. 142 da Constituição Federal deve ser interpretado de modo que tudo aquilo que não for matéria criminal de competência da justiça militar, encaixa-se no conceito de justiça comum.
Não se deve interpretar que ao não mencionar a justiça eleitoral é porque a Constituição permitiu que os oficiais perdessem o posto e a patente nas condenações por crimes eleitorais, ainda que a pena fosse inferior a dois anos, pois contraria claramente a finalidade do Texto Constitucional, ao condicionar o julgamento a pena privativa superior a dois anos, ainda que se trate de condenação na justiça militar, que, via de regra, julga graves ofensas à hierarquia e disciplina. Seria de todo incongruente permitir a perda do posto e da patente por crime eleitoral, cuja pena fosse inferior a dois anos, que é menos grave que as condenações por crimes militares com penas superiores a dois anos. Haveria grave afronta à proporcionalidade.
Em que pese a previsão acima referir-se aos membros das Forças Armadas, o art. 42, § 1º, da Constituição Federal prevê que se aplica o art. 142, § 3º, aos militares dos Estados.
O art. 125, § 4º, da Constituição Federal trata do julgamento de crimes militares e assegura que cabe ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.
Assim, pelo Texto Constitucional as praças somente perderão a graduação, nos crimes militares, por julgamento do tribunal competente, que será o tribunal de justiça militar onde houver (Rio Grande do Sul; São Paulo e Minas Gerais) e o tribunal de justiça comum nos demais estados, em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma diversa no item “1” do Tema 1.200, o que veremos ao comentar o art. 102 do Código Penal Militar.
Em se tratando de oficiais, ainda que o julgamento seja proferido pela justiça comum, a competência para processar e julgar a perda do posto e da patente será do tribunal de justiça militar onde houver (RS; SP e MG) e do tribunal de justiça comum nos demais estados.
É importante consignar os conceitos de cargo público militar, posto e patente.
Cargo público militar é o conjunto de atribuições, deveres e responsabilidades, definidas por lei ou regulamento e cometido, em caráter permanente, a um militar.[7]
Posto é o grau hierárquico dos oficiais, conferido pelo Presidente da República ou Ministro da Defesa, em se tratando das Forças Armadas e pelo Governador do Estado, quando for oficial de Instituição Militar Estadual.[8]
A patente é o instrumento jurídico, materializado em um documento, que contém as prerrogativas, direitos e deveres daquele que a recebe, que é o oficial de Instituição Militar.
Por ser materializada por intermédio de um documento destinado ao militar que possui posto, recebe o nome de Carta Patente.
A Carta Patente confirma o posto e é o documento comprobatório de que aquele que a possui detém posto.
A hierarquia militar é a ordenação em postos e graduações dentro da estrutura das Instituições Militares.
Graduação é o grau hierárquico das praças.
Os cargos militares são providos com pessoal que satisfaça aos requisitos de grau hierárquico e de qualificação exigidos para o seu desempenho.[9]
Nota-se que todo cargo militar deve ser ocupado por militar que satisfaça o grau hierárquico compatível com a função, ou seja, a todo cargo corresponde um posto ou graduação.
O cargo de comandante de um Batalhão, certamente, será exercido por um oficial no posto de Tenente Coronel, enquanto o cargo de um patrulheiro de viatura, certamente, será exercido por um Soldado ou Cabo, enquanto que o Comandante da Viatura, certamente, será um Sargento. Tudo dependerá de normas próprias que regem a carreira militar.
A relação entre cargo, oficial e posto é intrínseca. Não é possível que haja um cargo ocupado por um oficial sem posto. É como se fosse um corpo sem alma. O posto está para o oficial, assim como o crime está para o Direito Penal.
Não é possível que um oficial perca o posto, mas mantenha a patente ou que perca a patente, mas mantenha o posto. A perda de um implica, necessariamente, na perda do outro. Isso porque a Carta Patente é o documento que confirma o posto, logo, se ocorre a perda deste, a consequência lógica e indissociável é a perda daquele, devendo a Carta Patente ser recolhida, pois passará a ser desprovida de valor jurídico.
A condenação de um oficial à perda do posto e da patente implica na perda do cargo, pois perde a condição de oficial que é necessária para o exercício de cargo militar para o qual prestou concurso público.
Não é possível que um oficial condenado à perda do posto e da patente passe a exercer cargo civil na Instituição Militar, pois haveria burla à regra constitucional do concurso público (art. 37, II).
A condenação à perda do posto e da patente implica em um único resultado: exclusão do Quadro de Oficiais da Instituição Militar a que pertencer (demissão), de forma que o condenado volte a ser civil, sequer passará para a reserva não remunerada.
Fernando Hugo Miranda Teles, por sua vez, ensina que:
(…) O cargo militar é, sim, dissociado do posto e da patente, tanto que o militar em geral pode ocupar cargo ou função civil temporária na Administração Pública por até dois anos. Também o militar em licença para tratar de interesse particular fica afastado de seu cargo militar e nem por isso deixa de ser militar, mas tão somente fica sem remuneração e não conta tempo de serviço. O oficial pode ocupar qualquer cargo compatível com sua formação e sua especialização, conforme já foi consignado na análise do dispositivo pertinente. O comandante, com seu poder de gestão, pode designar o oficial para outro cargo após certo tempo. O cargo não é indissociável do posto e patente.[10]
Diante do Texto Constitucional e da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no item 2 do Tema 1.200, é possível afirmar que são necessários os seguintes requisitos para que um oficial seja condenado à perda do posto e da patente:
a) julgamento pelo Tribunal de Justiça Militar nos Estados do Rio Grande do Sul; São Paulo e Minas Gerais e nos tribunais de justiça comum nos demais estados;
b) condenação a pena privativa de liberdade na justiça comum ou militar;
c) a pena privativa de liberdade deve ser superior a dois anos;
d) ocorrência do trânsito em julgado.
Preenchidos os requisitos mencionados nos itens “b”, “c” e “d”, o julgamento perante o tribunal competente se torna obrigatório (art. 142, § 3º, VII, parte final).
Como regra, cabe ao Ministério Público representar pela declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato.
É importante notar que a Constituição obriga a ocorrência do processo de indignidade/incompatibilidade para o oficialato quando a condenação a pena privativa de liberdade for superior a dois anos, mas não impede expressamente a perda do posto e da patente quando a pena for igual ou inferior a dois anos. Assim, é possível afirmar que quando a pena for igual ou inferior a dois anos o processo de indignidade/incompatibilidade para o oficialato deixa de ser obrigatório e passa a ser uma faculdade?
O Regimento Interno do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais prevê em seu artigo 204 que “O processo para declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato e o de perda da graduação terão início com representação do Ministério Público, após condenação criminal a pena privativa de liberdade superior a dois anos.”
Da mesma forma, o art. 120, I, da Lei n. 6.880/80, que é aplicado pelo Superior Tribunal Militar, prevê que ficará sujeito à declaração de indignidade para o oficialato, ou de incompatibilidade, o oficial que for condenado, por tribunal civil ou militar, em sentença transitada em julgado, à pena restritiva de liberdade individual superior a 2 (dois) anos.
O Código Penal Militar passou a prever que no art. 99 que a “A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a 2 (dois) anos, por crimes comuns e militares, e importa a perda das condecorações, desde que submetido o oficial ao julgamento previsto no inciso VI do § 3º do art. 142 da Constituição Federal.”
Nota-se que a interpretação dada é que o julgamento que pode resultar na perda do posto e da patente está condicionado a uma pena superior a dois anos e não se trata de uma faculdade quando a pena for igual ou inferior a dois anos. Ou seja, não é cabível a instauração de processo para declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato quando a condenação a pena privativa de liberdade não for superior a dois anos.
Em que pese a claridade da Constituição, antes do advento da Lei n. 13.491/17 que deslocou os crimes praticados por militares em serviço, ainda que previstos fora da Código Penal Militar, para a Justiça Militar, era comum a condenação por juízes de primeira instância da perda do posto e da patente dos oficiais que fossem condenados pelo crime de tortura, posicionamento este que era adotado, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal.[11]
As sentenças condenatórias e o Supremo Tribunal Federal não chegaram a enfrentar com a profundidade necessária o art. 142, § 3º, VI e VII, da Constituição Federal, limitando-se a dizer que por não se tratar de crime militar a competência seria da justiça comum, até pacificar em sentido contrário por intermédio do Tema 1.200.
O art. 142, § 3, VII, da Constituição, é expresso ao dizer que nos julgamentos perante a justiça comum (que era o caso da tortura) caberá ao tribunal militar – onde houver (MG, SP e RS) – julgar a perda do posto e da patente.
Assim, inúmeros casos nesses estados foram julgados ao arrepio da Constituição Federal e oficiais perderam o posto.
Os oficiais podem ser julgados perante a justiça comum por crimes que tenham praticado fora do horário de serviço, como a hipótese de um crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal).
Nesse caso o juiz, ao condenar, ainda que o fato seja deplorável e merecedor de severa sanção, inclusive com a perda do cargo deverá remeter os autos ao Ministério Público para que proponha a representação para a declaração de indignidade/incompatibilidade para o Oficialato.
A forma técnica seria constar um comando na sentença da seguinte forma: “Com o trânsito em julgado, remeta-se cópia dos autos ao Ministério Público para fins do disposto no art. 142, § 3º, VI e VII, da Constituição Federal e em observância ao item 2 do Tema 1.200 do STF.” ou “Com o trânsito em julgado, remeta-se cópia dos autos ao Ministério Público para fins de propositura de representação do réu para a declaração de indignidade/incompatibilidade para o Oficialato perante o tribunal competente”.
A Lei n. 9.455/97 prevê no art. 1º, § 5º, que a “condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.”
Discute-se na doutrina se se trata de um efeito automático da sentença penal condenatória. Prevalece que sim.
Ocorre que deve ser feita uma leitura constitucional (interpretação conforme a Constituição) desse dispositivo quando o réu for oficial de instituição militar, uma vez que a Constituição não excepciona a hipótese de tortura ao mencionar em que situação o oficial poderá perder o cargo.
Não é possível que nenhuma lei disponha que a perda do cargo para oficiais será de forma automática, sob pena de incidir em inconstitucionalidade.
A Lei de Abuso de Autoridade – Lei n. 13.869, de 05 de setembro de 2019 – condicionou a perda do cargo como efeito da condenação à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade (reincidência específica), além de deixar expresso que o efeito não é automático e que o juiz deve declarar os motivos na sentença (art. 4º, parágrafo único).
Ocorre que em se tratando de oficial de Instituição Militar o juiz não pode decretar a perda do cargo em razão do crime de abuso de autoridade, pois compete ao tribunal competente decidir a respeito e a segunda condenação por abuso de autoridade deve possuir pena superior a dois anos.
Caso o juiz na sentença seja omisso quanto à perda do cargo, o tribunal competente poderá analisar o processo de indignidade/incompatibilidade para o oficialato, pois na omissão tem-se que a perda do cargo não foi decidida, o que autoriza que o oficial seja submetido a julgamento perante o tribunal competente, nos termos do art. 142, § 3º, VI e VII da Constituição Federal.
Noutro giro, caso o juiz fundamente e conste expressamente que o oficial não perderá o cargo público, ainda que seja absolutamente incompetente para decidir a respeito e não haja recurso da acusação, o tribunal competente não deverá submeter o oficial a processo de indignidade/incompatibilidade para o oficialato, na medida em que ocorrerá a formação de coisa julgada e não se admite no direito penal a revisão criminal pro societate. Aplica-se o mesmo raciocínio de uma sentença absolutória proferida por juiz absolutamente incompetente. Ocorrendo o trânsito em julgado, não poderá mais ser rescindida.[12]
Não compete ao tribunal do júri decidir acerca da perda do posto e da patente dos oficiais, pois não é o tribunal a que a Constituição Federal se refere, pois menciona ser competência do tribunal militar (art. 142, § 3º, VI) e do tribunal competente, logo após ressalvar a competência do júri para processar e julgar militares nos crimes dolosos contra a vida (art. 125, § 4º).
Além do mais, na série de quesitos constante no art. 483 do Código de Processo Penal não há previsão para que haja quesitação sobre a perda do cargo por servidor público ou militar.
Portanto, eventual quesitação que trate sobre a perda do posto e da patente – ou da graduação – não possui previsão legal, além de afrontar a Constituição Federal.
A conversão da pena privativa de liberdade superior a dois anos em pena restritiva de direito, nos termos do art. 44 do Código Penal, não impede que o oficial seja submetido a julgamento para a perda do posto e da patente, uma vez que a Constituição Federal exige que a pena seja superior a dois anos e a conversão em pena restritiva de direito é decorrência de condenação a pena privativa de liberdade com pena não superior a quatro anos se o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo
Logo, ainda que haja a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direito, é perfeitamente possível submeter o oficial ao julgamento para a perda do posto e da patente quando a exigência de condenação superior a dois anos tiver sido satisfeita. Quando houver descumprimento da pena restritiva de direito a pena privativa de liberdade é restabelecida.
Como a Constituição Federal trata da submissão do oficial ao julgamento por tribunal de justiça – militar, onde houver – nos casos de condenação a pena privativa de liberdade, não há óbices para que o oficial seja condenado à perda da função pública nas condenações por ato de improbidade administrativa (art. 12 da Lei n. 8.429/92).
A perda da função pública implica, necessariamente, na perda do posto e da patente?
O posto e a patente são concedidos ao oficial para que exerça seus deveres, atribuições e responsabilidades em um cargo público militar.
Matheus Carvalho[13] ensina que “Todo cargo público é criado mediante a edição de lei, fazendo parte da estrutura de um órgão público e, necessariamente, lhe será atribuída uma função. Não existe cargo sem função, não obstante exista função sem cargo.”
A função é a atividade em si mesmo, corresponde à atribuição e às tarefas que são de responsabilidade do agente que ocupa um cargo público.
Assim, se um oficial é condenado à perda da função pública, não poderá mais exercer os deveres, atribuições e responsabilidades inerentes ao oficialato. A Carta Patente se esvazia e, consequentemente, torna-se um instrumento sem validade jurídica, o que implica na perda da razão de ser do posto e da patente. Manter o posto e a patente quando se decreta a perda da função pública seria como manter o Direito Penal e abolir todos os crimes. Não há sentido algum.
Ocorre que o inciso VI, do § 3º, do art. 142 da Constituição Federal é claro ao afirmar que o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente.
O inciso VII, do § 3º, do art. 142 da Constituição Federal ao mencionar que o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento acima referenciado não excluiu a hipótese de que a perda do posto e da patente do oficial seja julgada também pelo tribunal quando for condenado em ação cível (improbidade administrativa), tanto é que é em razão do disposto no art. 142, § 3º, VI, da Constituição Federal que as instituições militares não excluem os oficiais por decisão do próprio comando e remetem o processo disciplinar para o tribunal competente[14].
Não é possível que a perda do posto e da patente ocorra em sede de recurso de apelação do Ministério Público, pois a Tese 1.200 (item 2) do STF fixou a obrigatoriedade de ocorrer um processo autônomo para analisar a perda do posto. Isso porque é no procedimento próprio para a perda do posto ou da graduação que será analisado todo o histórico funcional do militar, o número de recompensas e punições durante toda a vida profissional, as circunstâncias em que o crime que foi praticado ocorreu, a repercussão disso em âmbito institucional e perante a sociedade. Há uma série de análises que são impróprias para serem decididas no bojo do processo judicial, razão pela qual exige-se, nestes casos, em razão de previsão constitucional, que seja instaurado um procedimento próprio.
Dessa forma, é possível concluir que o julgamento do posto e da patente dos oficiais por tribunal competente será sempre obrigatória quando houver condenação criminal, com trânsito em julgado, a pena privativa de liberdade superior a dois anos e facultativa nas hipóteses de condenações por improbidade administrativa e em processos disciplinares.
| Natureza da condenação | Julgamento do posto e da patente perante o tribunal competente | Fundamento |
| Criminal | Obrigatório, sempre que a condenação for superior a dois anos. | Art. 142, § 3º, VII, da CF. |
| Cível | Somente se for ser aplicada a sanção de perda do posto e da patente como consequência da perda da função pública. | Depende da punição aplicada na sentença de improbidade administrativa, nos termos do art. 12 da Lei n. 8.429/92. |
| Administrativa | Somente se for ser aplicada pela Administração a sanção de demissão. | Discricionariedade da Administração, a depender da punição a ser aplicada. |
Como a perda da função pública em ação de improbidade administrativa pode implicar na perda do posto e da patente, é necessário que o oficial condenado à perda da função pública por improbidade administrativa seja submetido a julgamento perante o tribunal competente.
Afinal de contas, como constou Ministro Arthur Vidigal de Oliveira em decisão a respeito da declaração de indignidade/incompatibilidade: “Há militares que perdem suas funções públicas, mas continuam detentores do posto e da patente, como os militares que vão para a reserva. Com efeito, o militar não leva sua função ou seu cargo para a reserva, mas apenas o seu posto/patente, com as prerrogativas a ela inerentes, em sua plenitude.”[15]
No mesmo sentido são as lições de Fernando Hugo Miranda Teles, ao dispor que “mesmo na ausência de previsão legal a dispor sobre a perda da função militar decorrente de sentença condenatória em ação judicial por ato de improbidade administrativa, harmonizam-se os dois enunciados constitucionais mediante a transferência do oficial para a reserva não remunerada com a preservação do posto e patente, até que o Superior Tribunal Militar delibere, se for o caso, sobre a sua perda ou não.”.[16]
Isto é, fato de o juiz condenar um oficial à perda da função pública em uma ação de improbidade administrativa não implica, automaticamente, na perda do posto e da patente, pois somente o tribunal competente possui competência para tanto e perder a função pública, sem perder o posto e a patente implica em completo esvaziamento do posto e da patente, o que seria, por vias transversas, condenar à perda do posto e da patente.
Nota-se, mais uma vez, que o inciso VI, do § 3º, do art. 142 da Constituição Federal é claro ao afirmar que o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, sem condicionar que este julgamento esteja restrito a crimes, o que abrange as ações cíveis e processos disciplinares.
Esse entendimento é reforçado pela Lei n. 14.751/2023 – Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios – que previu como garantia dos oficiais no inciso XVI do art. 18 a “perda do posto e da patente, em qualquer hipótese, somente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão do Tribunal de Justiça Militar, onde este existir, ou do Tribunal de Justiça da unidade federada, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra, mediante representação pela autoridade competente, nos termos do § 1º do art. 42 e dos incisos VI e VII do § 3º do art. 142 da Constituição Federal”.
O Superior Tribunal Militar já decidiu que a condenação transitada em julgado na justiça comum por improbidade administrativa à perda do cargo não implica na automática perda do cargo, mas sim legitima a propositura de ação para a perda do posto e da patente perante o Tribunal Militar (tribunal competente) e, dessa forma, desconsiderou a perda do cargo do oficial e o manteve na instituição militar.[17]
2. Embora a condenação em ação de improbidade administrativa não conste expressamente no inciso VII do § 3º do art. 142 da Constituição Federal de 1988, nem no rol previsto no art. 120 da Lei nº 6.880/1980 (Estatuto dos Militares), entende-se como possível que tais condenações, quando transitadas em julgado, devam constituir hipóteses de sujeição do Oficial das Forças Armadas a julgamento ético-moral perante o STM, que poderá, a depender da gravidade dos fatos, resultar na declaração de indignidade ou de incompatibilidade para com o oficialato, legitimando, dessa forma, a propositura da respectiva Representação para Declaração de Indignidade ou de Incompatibilidade para com o Oficialato, a exemplo do que ocorre com condenações na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos.
3. Apesar de constar no art. 37, § 4º, da CRFB/1988, que os atos de improbidade
administrativa importarão em perda da função pública na forma e gradação prevista em lei, é certo que a própria Carta Magna confere aos Oficias da Forças Armadas um caminho específico, especial, para a perda da função pública, sendo, pois, necessário, em conformidade com o entendimento do PGJM, conferir ao art. 12 da Lei nº 8.429/1992 uma interpretação conforme o disposto no art. 142, § 3º, VI, da CRFB/1988. Nessa seara, a condenação transitada em julgado em ação de improbidade administrativa, de natureza extrapenal, deve ser reconhecida como instrumento hábil a dar ensejo à Representação para Declaração de Indignidade ou Incompatibilidade para com o Oficialato. Preliminar de não conhecimento da Representação, suscitada, ex officio, pelo Ministro-Revisor, que se rejeita. Decisão por maioria.
É possível falar que os oficiais de Instituições Militares possuem vitaliciedade?
A vitaliciedade é uma estabilidade qualificada a determinados agentes públicos, em razão da natureza do cargo e grau de responsabilidade das funções que exerce, sendo necessário que possua uma maior segurança para o exercício da função, não sendo possível perder o cargo em razão de processo administrativo disciplinar. Isto é, via de regra, exige-se sentença judicial transitada em julgado.
Como exemplo tem-se os cargos de magistrados, membros do Ministério Público, Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas.
Em que pese a vitaliciedade do oficial de Instituição Militar não ser devidamente tratada nos livros de Direito Constitucional e de Direito Administrativo, os oficiais também possuem vitaliciedade.
Conforme exposto à exaustação, o oficial só perderá o posto e a patente por decisão do tribunal competente, o que constitui a vitaliciedade, uma vez que a própria Instituição Militar não poderá decretar a perda do cargo.
Percebe-se que a Constituição prevê, claramente, que o oficial só perderá o posto por decisão judicial, o que constitui a sua vitaliciedade, eis que não pode perder a função pública pelas vias administrativas.
Quanto aos juízes e promotores, a vitaliciedade encontra-se prevista no art. 95, I e art. 128, § 5º, I, ambos da Constituição Federal.[18]
Paulo Adib Casseb[19] ensina que: “quanto aos oficiais, a Constituição da República estendeu a eles (art. 42, § 1º) a disciplina contida no art. 142, § 3º, VI e VII, relativa aos membros das Forças Armadas. Assim, os oficiais estaduais possuem também a garantia da vitaliciedade, pois só podem perder o posto e a patente mediante decisão judicial.”
Robinson Fernandes[20] menciona Diógenes Gasparini que defende que: “os oficiais são vitalícios, ao perderem o posto e a patente apenas por decisão de tribunal militar permanente em tempo de paz ou tribunal especial em tempo de guerra, redação que muito se assemelha do disposto para os magistrados, membros dos ministérios públicos e dos tribunais de contas, quanto à exigência de participação de um tribunal não obstante difiram no aspecto sentença e decisão” (grifo nosso).
No Processo de Indignidade com o Oficialato nº 005/2000, do TJMSP, cujo relator foi o Juiz Cel PM Lourival Costa Ramos, consta que: “prosseguindo, na sistemática da Lei Maior, cabe ao Chefe do Executivo conceder a patente e o posto dos Oficiais (art.. 142, § 3º, I), dispondo ela duas únicas formas de ser cassada aquela prerrogativa dos militares, quando por, exclusiva decisão judicial (art. 142, § 3º, incisos VI e VII), caracterizando isso, a vitaliciedade do cargo dos Oficiais das Instituições Militares (…)”
Em sentido contrário Robinson Fernandes[21] cita Alexandre de Moraes que defende que “Os oficiais militares não gozam da vitaliciedade por ausência de expressa previsão constitucional já que a única similitude quanto aos ditames constitucionais para os verdadeiramente vitalícios seria a palavra ‘tribunal’. Para os oficiais militares se requer mera decisão enquanto para os verdadeiramente vitalícios, sentença judicial transitada em julgado. Ademais, por se tratar de decisão administrativa, remanesce a estabilidade de que gozam todos os demais servidores.”
E prossegue:
Em que pese argumentos em sentido favorável quanto à vitaliciedade dos oficiais militares, não nos parece apenas uma questão de semelhança da redação textual a nível constitucional.
Preliminarmente, o constituinte originário não previu a vitaliciedade de forma expressa aos oficiais militares, como fez com os magistrados, membros do ministério público e dos tribunais de contas, o que por si só já bastaria para acreditarmos não ser este o espírito do legislador e a vontade constitucional.
Malgrado a mera semelhança quanto à exigência de participação dos tribunais para a demissão do cargo, tal proceder não iguala os oficiais militares aos vitalícios, até porque neste caso, exige-se sentença transitada em julgado, isto é, processo de natureza jurisdicional terminado donde não caiba mais recurso, e para aqueles, mera decisão do tribunal.
De sorte, a decisão do tribunal que decretar a perda da patente não suporta recurso extraordinário nos termos da lei, justamente por não se tratar de decisão jurisdicional a despeito de emanar de órgão judicial, caracterizando decisão administrativa mutatis mutandis caracterizam as decisões demissórias em processo administrativo disciplinar, emanando do órgão judicial verdadeiro ato administrativo no exercício de função atípica daquele Poder.
Deveras, tirante a interpretação constitucional literal, que per si já afasta a vitaliciedade dos oficiais militares, ainda sob a exegese constitucional sistemática, depreende-se, analisando os dispositivos da Carta Magna num conjunto, que o oficialato não goza da vitaliciedade.
Com efeito, o constituinte originário estabeleceu apenas a previsão da perda da patente dos oficiais militares por tribunal militar, designando o órgão donde emanará a decisão.
Ademais, todos os agentes públicos que gozam da vitaliciedade como predicamento constitucional, também receberam outras garantias do Poder Constituinte para o exercício do respectivo mister, tais como a inamovibilidade, a autonomia funcional, o que os oficiais certamente não possuem.
Destarte, em que pese entendimentos em sentido contrário, tanto pelo viés da interpretação literal quanto pela interpretação sistemática da Constituição Federal, haja vista a natureza meramente administrativa da decisão do tribunal militar que decretar a perda da patente, podemos concluir que os oficiais militares gozam apenas da estabilidade no serviço público.
Não é porque a Constituição deixou de mencionar a palavra “vitaliciedade” aos oficiais que estes não a possuem. Trata-se de uma técnica de redação legislativa diversa da que utilizou para os demais casos.
A vitaliciedade dos oficiais deve ser analisada com cautela, haja vista que é uma vitaliciedade sui generis.
Ao mesmo tempo em que a vitaliciedade dos oficias é mais “forte” que a dos membros do Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas, ela é mais fraca. Passamos a explicar.
O oficial somente perderá o posto e a patente se for julgado indigno ou incompatível com o oficialato por tribunal militar – onde houver (art. 142, § 3º, VI, CF).
A Lei n. 14.751/2023 – Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios – prevê que em qualquer hipótese o oficial somente poderá perder o posto e a patente por decisão do Tribunal de Justiça Militar, onde este existir, ou do Tribunal de Justiça da unidade federada, em tempo de paz.
Para ser submetido a julgamento pelo tribunal competente, em caso de crimes comuns ou militares, a pena privativa de liberdade deve ser superior a 02 anos (art. 142, § 3º, VII, CF).
Nota-se que a pena privativa de liberdade superior a dois anos é requisito imprescindívelpara que os oficiais sejam submetidos ao julgamento da perda do posto e da patente.
Em relação aos membros do Judiciário e do Ministério Público a Constituição não exige que para a perda do cargo a condenação à pena privativa de liberdade seja superior a dois anos.
A Lei 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público) dispõe que o membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado, proferida em ação civil própria, em relação à prática de crimes incompatíveis o exercício do cargo, após decisão judicial transitada em julgado (art. 38, § 1º, I).
A Lei Complementar 35/1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) dispõe que o magistrado vitalício somente perderá o cargo em ação penal por crime comum ou de responsabilidade (art. 26, I).
Nota-se que a garantia de ser submetido a processo para perda do cargo decorrente de condenações judiciais superiores a dois anos é exclusiva dos oficiais das Instituições Militares.
Assim, quanto à perda do cargo dos oficiais, que tenham como fato gerador condenações criminais, a pena deverá ser, obrigatoriamente, privativa de liberdade superior a dois anos.
Em relação aos juízes e promotores, a pena poderá ser inferior a dois anos, pois a Constituição somente exige que a sentença judicial tenha transitado em julgado, e as leis que versam sobre a perda do cargo dos juízes e promotores definem que o crime deve ser incompatível com a função ou decorrente de ação penal, sem especificar o quantum da pena, o que atrai a regra geral prevista no art. 92, I, “a” e “b”, do Código Penal. Ou seja, pode-se impingir a pena de perda do cargo quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública ou quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
Logo, no aspecto que tem a perda da função como fato gerador “condenação criminal”, a vitaliciedade dos oficiais é mais forte.
Noutro giro, em relação a perda da função que tenha como fato gerador procedimento administrativo disciplinar, a vitaliciedade é mais fraca.
O oficial poderá perder o cargo em decorrência da prática de diversas transgressões disciplinares elencadas em Regulamento Disciplinar próprio, ou, caso cometa ato que cause grave escândalo à sua própria imagem ou da Corporação, por exemplo. Percebe-se que o rol de hipóteses que o oficial poderá perder o cargo é amplo.
Os juízes e promotores vitalícios não podem perder o cargo por iniciativa da própria instituição, isto é, por decisão administrativa, sendo a sanção máxima a aposentadoria compulsória. Somente por decisão judicial transitada em julgado é que juízes e promotores vitalícios podem perder o cargo.
Verifica-se que os oficiais podem perder o cargo por infração administrativa – desde que a decisão final seja do tribunal competente -, enquanto os juízes e promotores vitalícios têm como sanção máxima a aposentadoria compulsória. As instituições militares poderão aplicar aos oficiais a sanção máxima de reforma sem a necessidade de submissão ao tribunal competente, o que equivale à aposentadoria compulsória dos magistrados e membros do Ministério Público.
Por isso, afirmamos que, neste aspecto, a vitaliciedade dos oficiais é mais fraca.
Importante mencionar que os Ministros do STF possuem um abrandamento em suas vitaliciedades, uma vez que poderão perder o cargo em decorrência de julgamentos perante o Senado Federal, nos termos do art. 52, II, CF, caso pratiquem crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas). Ou seja, podem perder o cargo em decorrência de decisão diversa da judicial, e nem por isso deixa de ser vitalício, uma vez que a própria Constituição excepciona o julgamento nesses casos.
Nessa lógica, o argumento de que o fato de não se exigir trânsito em julgado de decisão judicial para a perda do posto e da patente dos oficiai afasta a sua vitaliciedade não merece prosperar, pois a própria Constituição dá tratamento distinto em casos de vitaliciedade, como o fez para os Ministros da Suprema Corte.
A Súmula 673 do STF preceitua que “O art. 125, § 4º, da CF/88, não impede a perda da graduação de militar mediante procedimento administrativo.” refere-se, como diz o próprio texto, à perda da graduação e a Constituição distingue posto de graduação em diversas passagens, razão pela qual referida súmula não se aplica aos oficiais.”
Das decisões da perda do posto e da patente não cabem recursos para os tribunais superiores (Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça), uma vez que o acórdão prolatado no julgamento de representação para exclusão da carreira de militar, mesmo se tramitar em órgão dotado de competência jurisdicional, decorre do exercício de competência administrativa militar, o que afasta o cabimento de recurso extraordinário e especial.[22]
A finalidade da Constituição, ao condicionar a perda do posto e da patente ao julgamento do tribunal competente, foi conceder um julgamento justo aos oficiais de Instituições Militares, dada as peculiaridades da caserna, da vida militar e das responsabilidades dos oficiais enquanto comandantes, o que os distinguem, em muito, da vida civil.
Deve-se analisar todo o histórico de vida pessoal e profissional do militar, de forma que, às vezes, um ato isolado sem maior gravidade não acarrete em perda do posto e da patente.
Ao condicionar o julgamento por um tribunal militar tem por finalidade permitir que juízes que possuam toda uma experiência da caserna possa analisar melhor os fatos e se o oficial é digno de permanecer na instituição, em uma ponderação de valores e análise de todo o histórico do oficial e da gravidade do fato praticado.
Na impossibilidade do oficial ser julgado por tribunal militar, deve ser julgado por tribunal de justiça comum, cujos julgadores, por serem de segunda instância, possuem toda uma experiência de vida, o que pode permitir a realização de um julgamento mais equilibrado, somado ao fato de haver maior segurança jurídica na aplicação da perda do posto e da patente, por se tratar de decisão colegiada por tribunal. Entretanto, eventual ponto negativo no julgamento nos estados que não possuem TJM é o fato de não possuírem em sua composição oficiais do último posto (Coronéis PM ou BM) – como ocorre nos TJM de RS, SP e MG -, situação essa em que os desembargadores, não militares, não têm a experiência da atividade na caserna, que é bem peculiar.
Ante todo o exposto é possível concluir que:
a) juízes não podem condenar oficiais à perda do posto e da patente em sentenças condenatórias criminais ou por improbidade administrativa;
b) somente o tribunal de justiça militar onde houver (MG, SP e RS) e o de justiça comum podem condenar oficiais à perda do posto e da patente mediante a instauração de um processo para declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato, não sendo devida a condenação no bojo do processo judicial, uma vez que o processo de indignidade/incompatibilidade possui rito próprio e peculiaridades diversas do processo judicial;
c) caso um oficial seja condenado a uma pena privativa de liberdade superior a dois anos, deve ser submetido ao processo para declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato após o trânsito em julgado, não sendo possível a execução provisória da pena;
d) caso um oficial seja condenado a uma pena privativa de liberdade igual ou inferior a dois anos não deve ser submetido ao processo para declaração da indignidade/incompatibilidade para o oficialato;
e) os oficiais de Instituições Militares possuem vitaliciedade.
A não revogação dos artigos 100 e 101 do CPM
A Lei n. 14.688/2023 ao alterar o art. 99 do Código Penal Militar apenas positivou na legislação infraconstitucional o mandamento constitucional previsto no § 1º do art. 42 e incisos VI e VII do § 3º do art. 142 da Constituição Federal. Entretanto, houve omissão do legislador ao não revogar os art. 100 e 101 do Código Penal Militar.
Indignidade para o oficialato
Art. 100. Fica sujeito à declaração de indignidade para o oficialato o militar condenado, qualquer que seja a pena, nos crimes de traição, espionagem ou cobardia, ou em qualquer dos definidos nos arts. 161, 235, 240, 242, 243, 244, 245, 251, 252, 303, 304, 311 e 312.
Incompatibilidade com o oficialato
Art. 101. Fica sujeito à declaração de incompatibilidade com o oficialato o militar condenado nos crimes dos arts. 141 e 142.
A indignidade e a incompatibilidade para o oficialato na forma prevista nos arts. 100 e 101, ambos do CPM, nasceram inconstitucionais, pois a Emenda Constitucional n. 1, de 17 de outubro de 1969[23] (que parte da doutrina constitucionalista considera como nova Constituição Federal)[24], exigia a decisão por tribunal militar e pena superior a dois anos, o que se manteve na Constituição Federal de 1988 e foi previsto no art. 99 em razão da alteração dada pela Lei n. 14.688/2023, bem como previsto no inciso XVI do art. 18 da Lei n. 14.751/2023.
Uma forma de se interpretar pela sobrevivência dos arts. 100 e 101 do Código Penal Militar é considerá-los apenas como parâmetro para submissão do oficial ao Conselho de Justificação com fundamento no art. 2º, I, c, da Lei 5.836/1972[25] ou para Representação para declaração de indignidade ou de Incompatibilidade para com o Oficialato. E também podem servir como parâmetro para inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa (art. 1º, I, f, da Lei Complementar 64/1990, alterado pela Lei Complementar 135/2010)[26].
Cícero Coimbra Neves e Marcello Streifinger sustentam a não recepção, perante a CF/1988, e inconstitucionalidade material, perante a CF/1969, dos arts. 100 e 101 do Código Penal Militar, inclusive para fins administrativos do Conselho de Justificação e Representação para declaração de indignidade ou de Incompatibilidade para com o Oficialato.[27]
Na jurisprudência castrense há precedente mais antigo, já na vigência da CF/88, do Superior Tribunal Militar em que considerou a validade do art. 100 do Código Penal Militar para fins de Representação para declaração de indignidade ou de Incompatibilidade para com o Oficialato [28], todavia em precedente mais recente entendeu pela não recepção[29]. Na 1ª Câmara do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo[30] há precedente que o art. 100 do CPM só se aplica aos processos de Representação para Declaração de Indignidade para o Oficialato (arts. 42 e 142 da CF), e não em Conselhos de Justificação (Lei Federal nº 5.836/72 e Lei Estadual nº 186/73).
A seguir os crimes previstos nos arts. 100 e 101 do Código Penal Militar:
| CRIMES SUJEITOS À PENA DE INDIGNIDADE – ART. 100 DO CPM |
| Desrespeito a símbolo nacional (Art. 161) |
| Ato de libidinagem (Art. 235) |
| Furto simples (Art. 240) |
| Roubo simples (Art. 242) |
| Extorsão simples (Art. 243) |
| Extorsão mediante sequestro (Art. 244) |
| Chantagem (Art. 245) |
| Estelionato (Art. 251) |
| Abuso de pessoa (Art. 252) |
| Peculato (Art. 303) |
| Peculato mediante aproveitamento do erro de outrem (Art. 304) |
| Falsificação de documento (Art. 311) |
| Falsidade ideológica (Art. 312) |
| Traição (Art. 355) |
| Favor ao inimigo (Art. 356) |
| Tentativa contra a soberania do brasil (Art. 357) |
| Coação a comandante (Art. 358) |
| Informação ou auxílio ao inimigo (Art. 359) |
| Aliciação de militar (Art. 360) |
| Ato prejudicial à eficiência da tropa (Art. 361) |
| Cobardia (Art. 363) |
| Cobardia qualificada (Art. 364) |
| Fuga em presença do inimigo (Art. 365) |
| Espionagem (Art. 366) |
| Penetração de estrangeiro (Art. 367) |
| CRIMES SUJEITOS À INCOMPATIBILIDADE – ART. 102 DO CPM |
| Entendimento para gerar conflito ou divergência com o Brasil |
| Tentativa contra a soberania do Brasil |
Em razão da não revogação expressa dos dispostos nos arts. 100 e 101 do Código Penal Militar, que não são constitucionais, conforme exposto, a nova redação do art. 99 do Código Penal Militar revogou tacitamente referidos dispositivos.
[1] Art. 93. As patentes, com as vantagens, prerrogativas e deveres a elas inerentes, são asseguradas em tôda a plenitude, assim aos oficiais da ativa e da reserva como aos reformados. […]
§ 2º O oficial das Fôrças Armadas só perderá o pôsto e a patente se fôr declarado indigno do oficialato ou com êle incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra.
§ 3º O militar condenado por tribunal civil ou militar a pena restritiva da liberdade individual superior a dois anos, por sentença condenatória passada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no parágrafo anterior.
[2] Cícero Coimbra Neves e Marcello Streifinger no mesmo sentido. (NEVES, Cícero Robson Coimbra; STREIFINGER, Marcello. Manual de Direito Penal Militar – Volume Único. 7.ed. São Paulo: Juspodivm. 2023. p. 672-673).
[3] STF. ARE 1273894 AgR-ED-EDv-AgR, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 22/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-060 DIVULG 29-03-2021 PUBLIC 30-03-2021.
[4] STJ. AgInt nos EDcl no AREsp 1442965/RN, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2020, DJe 29/10/2020.
[5] STF. ARE 1320744, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 26/06/2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-s/n DIVULG 07-07-2023 PUBLIC 10-07-2023.
[6] STF, Pleno, Inq. 1.872/DF, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, DJ 20/04/2007.
[7] Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais – Lei n. 5.301/69. Art. 38 – São adotadas as seguintes definições: I – cargo é o conjunto de atribuições definidas por lei ou regulamento e cometido, em caráter permanente, a um militar;
Estatuto dos Militares. Lei n. 6.880/80. Art. 20. Cargo militar é um conjunto de atribuições, deveres e responsabilidades cometidos a um militar em serviço ativo.
[8] Art. 42, § 1º, da CF. § 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
Art. 142, § 3º, I, da CF. I – as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uniformes das Forças Armadas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais – Lei n. 5.301/69. Art. 8º – Hierarquia militar é a ordem e a subordinação dos diversos postos e graduações que constituem carreira militar. § 1º – Posto é o grau hierárquico dos oficiais, conferido por ato do Chefe do Governo do Estado.
Estatuto dos Militares. Lei n. 6.880/80. Art . 16. Os círculos hierárquicos e a escala hierárquica nas Forças Armadas, bem como a correspondência entre os postos e as graduações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, são fixados nos parágrafos seguintes e no Quadro em anexo.
§ 1° Posto é o grau hierárquico do oficial, conferido por ato do Presidente da República ou do Ministro de Força Singular e confirmado em Carta Patente.
[9] Art. 21 da Lei n. 6.880/80.
[10] TELES, Fernando Hugo Miranda; Assis, Jorge César De(Coord.). Estatuto dos Militares Comentado – Lei 6.880, 09 de dezembro de 1980. 2.ed. Curitiba: Juruá. 2020. p.103.
[11] STF. HC 92181, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 03-06-2008, DJe-142 DIVULG 31-07-2008 PUBLIC 01-08-2008 EMENT VOL-02326-03 PP-00567 RT v. 97, n. 877, 2008, p. 508-514.
[12] 1. A sentença absolutória transitada em julgado, ainda que emanada de juiz absolutamente incompetente não pode ser anulada e dar ensejo a novo processo pelos mesmos fatos. 2. Incide, na espécie, o princípio do ne bis in idem, impedindo a instauração de processo-crime pelos mesmos fatos porque foi o paciente absolvido perante Juízo absolutamente incompetente. 3. Não havendo no ordenamento jurídico brasileiro revisão criminal pro societate, impõe-se acatar a autoridade da coisa julgada material, para garantir-se a segurança e a estabilidade que o ordenamento jurídico demanda. 4. Ordem concedida. (STJ – HC: 36091 RJ 2004/0081309-6, Relator: Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, Data de Julgamento: 24/02/2005, T6 – SEXTA TURMA, Data de Publicação: –> DJ 14/03/2005 p. 426LEXSTJ vol. 188 p. 283)
[13] CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo. 4ª edição. Salvador: Juspodivm. 2017. p. 863.
[14] Nesse sentido é a previsão contida no Código de Ética dos Militares do Estado de Minas Gerais (art. 74, § 3º, da Lei n. 14.310/02).
[15] Superior Tribunal Militar (Plenário). Representação para Declaração de Indignidade/ Incompatibilidade no 7000800-18.2020.7.00.0000. Relator: Min. Gen. Ex. Lúcio Mário de Barros Góes. Revisor: Min. Dr. Artur Vidigal de Oliveira, 19 de agosto de 2021.
[16] TELES, Fernando Hugo Miranda; Assis, Jorge César De(Coord.). Estatuto dos Militares Comentado – Lei 6.880, 09 de dezembro de 1980. 2.ed. Curitiba: Juruá. 2020. p. 104.
[17] Superior Tribunal Militar (Plenário). Representação para Declaração de Indignidade/ Incompatibilidade no 7000800-18.2020.7.00.0000. Relator: Min. Gen. Ex. Lúcio Mário de Barros Góes. Revisor: Min. Dr. Artur Vidigal de Oliveira, 19 de agosto de 2021.
[18] Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: I – vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado.
Art. 128. O Ministério Público abrange: § 5º – (..) I – as seguintes garantias: vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado.
[19]RAMOS, Dircêo Torecillas; ROTH, Ronaldo João; COSTA, Ilton Garcia da. Direito Militar: Doutrina e Aplicações. Rio de Janeiro: Campus Jurídico. 2011. p. 97.
[20]FERNANDES, Robinson. A vinculação institucional do oficial militar. Academia de Direito Militar. Disponível em: <http://paulohenriquefreire.blogspot.com/2008/07/vinculao-institucional-do-oficial.html >. Acesso em: 20/09/2023.
[21] FERNANDES, Robinson. A vinculação institucional do oficial militar. Academia de Direito Militar. Disponível em: <http://paulohenriquefreire.blogspot.com/2008/07/vinculao-institucional-do-oficial.html >. Acesso em: 20/09/2023.
[22] STF – RE n. 598.414 AgR, Rel. Ministro Eros Grau, 2ª T., DJe 8/10/2009.STJ – AgRg no RMS: 31470 SP 2010/0023584-5, Relator: Ministro Ericson Maranho (Desembargador Convocado do TJ/SP), Data de Julgamento: 17/12/2015, 6ª Turma, Data de Publicação: DJe 04/02/2016.
STJ – REsp: 1663330 SP 2017/0071578-4, Relator: Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de Publicação: DJ 29/08/2017.
[23] Art. 93. As patentes, com as vantagens, prerrogativas e deveres a elas inerentes, são asseguradas em tôda a plenitude, assim aos oficiais da ativa e da reserva como aos reformados. (…)
§ 2º O oficial das Fôrças Armadas só perderá o pôsto e a patente se fôr declarado indigno do oficialato ou com êle incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra.
§ 3º O militar condenado por tribunal civil ou militar a pena restritiva da liberdade individual superior a dois anos, por sentença condenatória passada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no parágrafo anterior.
[24] LENZA, Pedro. Direito. Constitucional – Esquematizado. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação. 2021. p. 137.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 43.ed. São Paulo: Malheiros. 2020. p. 89.
SANTOS, Eduardo Rodrigues dos. Manual de Direito Constitucional. 3. ed. São Paulo: Juspodivm. 2023. p. 288.
[25] Art. 2º É submetido a Conselho de Justificação, a pedido ou “ex officio” o oficial das forças armadas:
I – acusado oficialmente ou por qualquer meio lícito de comunicação social de ter: (…)
c) praticado ato que afete a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe;
[26] Art. 1º São inelegíveis:
I – para qualquer cargo: (…)
f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
[27] NEVES, Cícero Robson Coimbra; STREIFINGER, Marcello. Manual de Direito Penal Militar – Volume Único. 7.ed. São Paulo: Juspodivm. 2023. p. 671-676.
[28] STM. REPRESENTAÇÃO P/DECLARAÇÃO DE INDIGNIDADE/INCOMPATIBILIDADE nº 1992.01.000026-1. Relator(a): Ministro(a) JOSÉ DO CABO TEIXEIRA DE CARVALHO. Data de Julgamento: 26/11/1992. Unânime.
[29] STM – Rdiof: 54 DF 2007.01.000054-7, Relator: RAYDER ALENCAR DA SILVEIRA, Data de Julgamento: 15/09/2009, Data de Publicação: 18/11/2009.
[30] TJM/SP. 1ªCâmara. APELAÇÃO CÍVEL Nº 004541/2018. Processo n. 007280/2018. Relator: Orlando Eduardo Geraidl. j:22/01/2019. Unânime.
