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Há nas Ciências Policial e Sociais, vasta literatura sobre as diferenças na aplicação dos métodos quantitativos e qualitativos para estudo do crime. Os métodos quantitativos se baseiam em estatísticas para determinar a frequência e importância da atividade criminosa, o volume e densidade do crime, as correlações entre o crime e outras variáveis. Por outro lado, a análise qualitativa, se baseiam nas observações diretas (fonte primária) ou em citações de outras fontes e na avaliação de notas de campo.

A tentativa de focar no comportamento criminoso exige que se compreenda a própria interação humana, seja legal ou ilegal. Para tanto, os analistas, muitas vezes, buscam diretamente em campo a fonte das informações, para ver por si mesmos o que está acontecendo e estudar o conteúdo em que os fenômenos ocorrem.

Neste sentido, a análise qualitativa incorpora informações de pesquisa de campo, análise documental ou de conteúdo, entrevistas, postagens em mídias sociais e perspectiva cultural. Essas fontes podem e devem ser usadas compreender melhor o âmbito e a natureza dos padrões e problemas e realizar avaliações aprofundadas de questões de segurança pública.  A análise qualitativa também requer habilidades de pensamento crítico aguçadas, a fim de discernir o relevante do irrelevante e incorporar o contexto na tomada de decisões.

Este texto começa com uma visão geral sobre a aplicação e a utilização da informação qualitativa pelos analistas criminais. Em seguida, aborda a importância crucial da informação qualitativa na análise tática, estratégica e administrativa do crime.

Análise Tática de crimes usando dados Qualitativos

A leitura de históricos de ocorrências policiais com a finalidade de buscar conexões entre fatos criminais, características de criminosos e modus operandi é uma forma de pesquisa qualitativa. A esta análise preliminar, pode-se acrescentar a análise de depoimentos de testemunhas, entrevistas com infratores, gravações de vídeo, além de observações sobre o local do crime, alvo e perímetro circundante. Uma compreensão da conexão entre o tempo e o espaço (quais crimes acontecem, quando e onde ocorrem) é fundamental para a prevenção do crime. Para fins qualitativos, há então pelo menos quatro objetivos principais desta forma de análise tática:

  1. identificar séries criminais por meio da leitura de relatórios de ocorrência e comparando com boletins anteriores. Produzir boletins informativos para informar a existência das séries e suas características. Distribuir os resultados da análise para policiais de campo, investigadores, cidadãos e empresas nas áreas e períodos afetados;
  2. pesquisas baseadas em banco de dados de infratores conhecidos, leitura de depoimentos de testemunhas, revisão dos comentários de despachos de ocorrências (históricos de chamada), entrevista com policiais ou detetives sobre características distintivas que possam clarificar a série dos eventos e a “assinatura exclusiva” de um infrator.
  3. utilizar análise temporal e espacial em conjunto com informações qualitativas para prever a hora e o local prováveis de ocorrência do próximo incidente (análise preditiva). Os elementos únicos do ambiente e as qualidades da vítima ou algo devem ser avaliados, e quaisquer detalhes peculiares devem ser comunicados aos agentes e investigadores para que possam estar conscientes durante o patrulhamento ou investigação.
  4. após a prisão, comparar o perfil do infrator e as declarações feitas durante as entrevistas com crimes anteriores que apresentem características geográficas, temporais ou comportamentais semelhantes. Esta análise qualitativa retroativa permite que outros casos possam ser relatados na mesa ocorrência policial, pode auxiliar nos esclarecimentos de outros inquéritos, além de permitir construir um processo judicial mais robusto ou mesmo fundamentar ações numa audiência de custódia.

Análise criminal estratégica usando dados qualitativos

A análise estratégica do crime se concentra no desenvolvimento de estratégicas eficazes para intervir nas tendências de longo prazo e nos problemas sociais do crime. Essas estratégias podem estar relacionadas com a resolução de problemas, a atribuição de recursos ou abordagens operacionais gerais no enfoque das questões relacionadas com o crime e na prestação de serviços. Métodos qualitativos, tais como como inquéritos, grupos focais e entrevistas com cidadãos, policiais ou infratores são apropriadas para colher informações adicionais sobre o crime e a desordem, bem como sobre as práticas policiais.

O policiamento comunitário e o policiamento orientado para a resolução de problemas abrangem modelos de pesquisa que se baseiam em informações e métodos qualitativos. O modelo IARA, normalmente aplicado ao policiamento orientado para a resolução de problemas, exige que os analistas criminais e policiais procurem os problemas, analisem-nos em profundidade, respondam com soluções eficazes e avaliem a eficácia da resposta. A base referencial mais importante sobre o tema é a obra de Goldstein (1990) – Policiamento Orientado para Problemas.

O policiamento orientado para a resolução de problemas proporciona, na verdade, um incentivo para fazer uma utilização mais eficaz dos dados normalmente colhidos como parte da análise do crime e para se expandir para além dos atuais objetivos limitados dos modelos mais avançados de análise do crime. Isto exigiria, em primeiro lugar, uma concentração mais ampla de todos os problemas que a polícia enfrenta, em vez de apenas nas categorias tradicionais de crime. Seria necessário tentar compreender a natureza destes problemas como base para uma revisão crítica de resposta da agência policial, em vez de limitar as pesquisas a objetivos operacionais mais restritos. Usaria mais fontes de informação do que apenas os relatórios apresentados pelos policiais. Para compreender todos os aspectos de um problema, a polícia teria de se tornar especialista na realização de pesquisas bibliográficas, utilizando surveys telefônicos e porta a porta, entrevistando aqueles que têm o conhecimento mais direto sobre um problema (incluindo cidadãos, funcionários, representantes de várias agências governamentais) e serviços privados, e ex-infratores), e fazendo uso de dados recolhidos por outras agências governamentais e no setor privado. Finalmente, o tipo de inquérito sistemático contemplado como parte do policiamento orientado para a resolução de problemas atribuiria um valor muito mais elevado à exatidão e precisão dos dados utilizados e às conclusões alcançadas do que tem sido característico dos estudos conduzidos nas agências policiais.

(Goldstein, 1990, pp. 37-38).

O espectro de fontes de informação a que Goldstein se refere foi articulado mais especificamente por John Eck e William Spelman em Problem Solving: Problem-Oriented Policing in Newport News (1987). Os autores apontam para fontes de informação qualitativa que envolvem intervenientes, incidentes e respostas potenciais – comunitárias versus institucionais. Goldstein escreve que esta é uma forma diferente de análise do crime, que vai além dos objetivos tradicionais de identificação de padrões e séries de crimes. Esta forma de análise estratégica do crime ou de análise do problema exige a extração de muitos elementos qualitativos de informação para além do que pode ser encontrado num relatório policial ou identificado através de estatísticas criminais.

Fritz et al. (2017) indicam que ao desenvolver estratégias eficazes para resolver problemas, os analistas devem estar preparados para realizar acompanhamentos, entrevistar agentes e cidadãos e (quando apropriado) realizar observação participante ou trabalho de campo. Entrevistar cidadãos ou testemunhas é uma forma adicional de colher informações qualitativas sobre o âmbito e natureza do fenômeno. Explorar a percepção e a experiência dos policiais de patrulha que trabalharam na ronda ou na delegacia lançará luz adicional sobre o assunto. Todas essas técnicas, de natureza qualitativa, são ferramentas eficazes para análise de problemas.

Embora os departamentos de polícia tenham utilizado eficazmente a observação participante sob a forma de vigilância, o seu objetivo principal é a investigação (e prevenção criminal) e não a pesquisa ou a construção de conhecimento. As observações de comportamento em primeira mão continuam a ser a melhor fonte de dados, especialmente no que diz respeito a atos criminosos ou desviantes (Fritz et al., 2017).

A realização de Survey é uma excelente forma de obter informações acionáveis, tanto dentro como fora da agência policial. O survey com policiais de carreira pode fornecer informações sobre como a unidade de análise criminal pode contribuir melhor para a missão da agência. Já survey com membros da comunidade, proprietários de empresas e vítimas de crimes permite que as agências obtenham informações cruciais que poderiam prevenir o crime e melhorar a opinião pública. Este método de investigação qualitativa é uma ferramenta importante – e por vezes negligenciada – nas fases de identificação, análise e avaliação da estratégica de análise criminal. Todos os surveys conduzidos por uma agência de aplicação da lei devem envolver a unidade de análise criminal e/ou um analista de pesquisa, para garantir o desenho adequado das perguntas e a interpretação dos dados (Fritz et al., 2017).

Embora as pesquisas possam ser administradas pessoalmente, por correio, por telefone ou on-line, é importante garantir simplicidade, clareza e eficiência no design da pesquisa. As perguntas devem ser livres de preconceitos, ter vocabulário adequado e claro e evitar gírias e termos incertos. Fritz et al. (2017, p. 210) inserem as seguintes dicas para a elaboração de questões fechadas:

Deve-se evitar perguntas indutoras, que direcionam o entrevistado para a resposta mais desejável (por exemplo, “Você não acha que a unidade de análise criminal está fazendo um trabalho fantástico?”). As perguntas fechadas, das quais o respondente escolhe uma das várias respostas predefinidas, devem ser inequívocas, para que o respondente não seja forçado a trabalhar na definição de cada resposta potencial, acabando por perder o interesse na participação. Na maioria das situações, as perguntas fechadas devem oferecer uma categoria de resposta “outro” ou “nenhuma das opções acima”, com a opção de expressar uma resposta breve com as próprias palavras do respondente.

Os mesmos autores também apontam quesitos importantes a serem considerados para a elaboração de questões abertas:

Ao apresentar perguntas abertas, nas quais o respondente tem a oportunidade de responder da maneira que escolher, certifique-se de que a pergunta seja formulada de forma tão específica que as possíveis respostas sejam compreensíveis e mensuráveis, como: ” Você sempre garante que suas portas e janelas são trancadas antes de sair de casa por longos períodos?” ou “Quando você vê um carro da polícia no seu quarteirão à noite, qual é a sua reação inicial?” No entanto, se o objetivo principal da pesquisa é fazer com que os entrevistados se sintam como suas vozes estão sendo ouvidas, pode ser apropriado permitir perguntas mais gerais, como: “Você se sente seguro em sua vizinhança?” ou “Como tem sido sua experiência com policiais?”

(Fritz et al., 2017, p. 210-211).

Os analistas devem estar cientes da natureza sensível das perguntas que envolvem a vitimização do crime, independentemente da estrutura da pergunta. As perguntas mais sensíveis devem ser colocadas no final do survey e geralmente não devem ser administradas por telefone ou pessoalmente. Por exemplo, se a realização de um survey for um esforço para reduzir as agressões sexuais num campus universitário, as perguntas devem ser escritas de uma forma que não exacerbe o trauma ou banalize as experiências de alguém que foi vítima no passado[1].

As perguntas abertas e fechadas devem estar sempre gramaticalmente corretas; erros podem levar a interpretações erradas que podem invalidar a pesquisa e torná-la um esforço desperdiçado. Para garantir que as perguntas sejam formuladas adequadamente e que os resultados sejam mensuráveis ​​após a conclusão, recomenda-se que analistas competentes, de preferência com formação em métodos de investigação qualitativa, estejam envolvidos desde o início até à conclusão. Registrar, analisar, agrupar e apresentar respostas é uma tarefa que requer experiência e não deve ser tratada casualmente.

A realização de grupos focais com base em respostas de pesquisas resumidas e analisadas é uma excelente maneira de obter sua visão sobre questões de segurança pública de longo prazo. A introdução de perguntas baseadas em respostas de surveys frequentemente selecionadas, ou em respostas bem redigidas a perguntas abertas, pode dar aos analistas uma perspectiva adicional sobre como as questões de crime e desordem podem ser diagnosticadas, tratadas e avaliadas, com a cooperação de importantes intervenientes. Embora os surveys e os grupos focais possam ser realizados de forma independente, a sua utilização de forma complementar pode fornecer informações valiosas que, de outra forma, poderiam faltar ou ser mal compreendidas na abordagem de problemas complexos (Fritz et al., 2017).

Ao empregar métodos de pesquisa qualitativa, um analista pode reunir dados mais ricos e diretos do que os extraídos apenas dos relatórios policiais. A realização de uma análise ambiental, a identificação dos tipos de instalações, o estudo da sua estrutura e localização, a observação das interações humanas diretas que ocorrem nesses locais e o questionamento dos membros da comunidade sobre as suas experiências podem ajudar a desenvolver soluções para problemas crônicos de criminalidade ou desordem.

Análise Criminal Administrativa usando dados qualitativos

A análise de informações relacionadas com o crime e a polícia para fins administrativos pode ser melhor informada por fontes de dados qualitativos e pela análise de documentos. A realização de análises de conteúdo ao longo de um ano ou uma década pode produzir volumes de conhecimento sobre o que é importante para uma determinada comunidade. Comparar o que é escrito ou dito na mídia local com o posicionamento da sua agência pode oferecer uma visão crítica sobre relações públicas, esforços de policiamento comunitário, imagem e moral do departamento. A análise do crime administrativo deve centrar-se na política de combate ao crime, no accountability financeiro da prestação de serviços e nas considerações fiscais da prestação de serviços públicos, todas elas difíceis de classificar em termos quantitativos.

Fontes de Informações Qualitativas

As fontes de dados qualitativos são abundantes no policiamento, mas muitos destes dados passam despercebidos, ou pelo menos são documentados. O que se segue é uma lista de fontes de dados para informações qualitativas no policiamento e na análise do crime. A lista certamente não é exaustiva, mas ilustra a riqueza de recursos que temos ao nosso alcance:

  • relatórios de incidentes policiais, mais especificamente narrativas ou sinopses,
  • gravações de áudio e vídeo,
  • formulários de prisão,
  • fotografias
  • relatos de vítimas e testemunhas
  • entrevistas com:
    • policiais (incluindo observações e percepções)
    • cidadãos
    • infratores (pós prisão)
  • Sites da internet
  • Artigos e outros periódicos
  • Observações de campo (caderno de anotações por exemplo)
  • Surveys de Prevenção do Crime através do Design Ambiental (CPTED)
  • Esboços, desenhos, plantas baixas, mapas, croquis
  • Resultados de pesquisas de fontes abertas
  • Noticiários, entrevistas e comentários de repórteres
  • Conteúdos de mídias sociais referentes a vítimas, autores, suspeitos, filiações a gangues e organizações criminosas; exibição de armas, drogas e outros ilícitos.

Um bom recurso para uma lista abrangente de fatores a serem considerados ao analisar um problema é encontrado na publicação de Eck & Spelman (1987) intitulada “A Guide for the Analysis of Problem Information“. Sugere dezenas de fatores a serem investigados sobre vítimas, agressores, terceiros, meio ambiente e resposta policial.

Métodos de Pesquisa Qualitativa

O professor universitário David Altheide (1996) sugere que quase tudo pode ser considerado um “documento”. Ele divide os documentos em três categorias:

  1. Documentos primários: incluem jornais, revistas, noticiários de televisão, rádio, transcrição de e-mails e diários;
  2. Documentos secundários: notas de campos, relatórios publicados;
  3. Documentos auxiliares: categoria abrangente que pode incluir quaisquer outros tipos de insumos documentais (por exemplo, insere-se nesta categoria pesquisas que tem como matéria-prima o lixo residencial a fim de buscar padrões de consumo dos moradores).

“Análise de documentos”, conforme Altheide, “refere-se a um método, procedimento e técnica integrados e conceitualmente informados para localizar, identificar, recuperar e analisar documentos quanto à sua relevância, importância e significado” (1996, p. 5). Análise documental ou análise de conteúdo, portanto, é o principal método qualitativo para identificar e analisar relatórios ou narrativas policiais em busca de padrões e séries.

A forma menos dispendiosa de análise de documentos é ler regularmente o jornal local, copiar ou digitalizar os documentos que considere relevantes para o trabalho policial e armazená-los num arquivo (eletrônico ou físico) para referência futura. A busca por um assunto ou local específico em artigos de notícias eletrônicas pode ajudar a desenvolver conhecimento valioso sobre um determinado problema, localização do problema ou nomes específicos de indivíduos relacionados a um assunto.

Fritz et al. (2017) completa que

[…] salvar parágrafos relevantes simplesmente em um documento do Microsoft Word permitirá que você pesquise o conteúdo posteriormente. Você pode armazenar documentos por tópico, datas ou até mesmo geografia para facilitar o acesso no futuro. Você talvez crie alertas de pesquisas na Internet que te enviem links automaticamente à medida que as informações fiquem disponíveis.

Observação não participante (a participação do observador)

A participação do observador, em oposição à observação participante (que será apresentada na sequência), refere-se ao processo de observar o que está acontecendo, geralmente à distância e afastado de qualquer interação direta com os sujeitos. Viajar sozinhos é o melhor exemplo de como conduzir a participação do observador. Observar o que os policiais fazem, o que as vítimas fazem, o que os presos dizem e fazem, ou simplesmente manter os olhos e os ouvidos abertos enquanto você dirige é o objetivo de uma abordagem de pesquisa qualitativa.

O truque é ser metódico na busca e coleta de informações relevantes para seu estudo ou foco. Os policiais alcançam esse valioso método instintivo de forma quase intuitiva. Você já fez uma carona durante a qual o policial fez meia-volta porque viu algo suspeito que você nem havia notado?

É a isso que nos referimos quando falamos de participação do observador: a habilidade de ver, ouvir, cheirar, sentir e até mesmo saber intuitivamente o que está acontecendo ao seu redor. A diferença analítica está no fato de que o pesquisador aplicado (ou seja, o analista criminal) deve documentar essas observações de forma metódica e proposital. Outras maneiras de realizar observações são passear em uma cafeteria, cafeteria, bar, ponto de ônibus ou no próprio ônibus. É claro que deve ser “com um propósito” – é isso que o torna científico.

Observação participante

Observação participante, outra forma de pesquisa de campo, exige que o analista assuma um papel mais ativo no ambiente. Em alguns casos, o analista assumirá um papel na comunidade, por vezes obtendo acesso através de um informante ou pessoa de dentro da comunidade. A observação participante é arriscada, como qualquer policial disfarçado testemunhará; a segurança deve ser a principal consideração ao empregar esta estratégia de pesquisa. Tornar-se “disfarçado” pode ser melhor deixado para investigadores de carreira policial, mas simplesmente se envolvendo em um programa comunitário ou de bairro sem fins lucrativos, o analista terá a oportunidade de falar com vizinhos e clientes sobre questões comunitárias. Estas interações podem fornecer informações valiosas sobre as dimensões sociais e culturais de um grupo ou bairro específico.

Entrevistas

Uma abordagem de investigação menos arriscada ou vulnerável consiste na realização de entrevistas com policiais, vítimas, testemunhas, cidadãos e infratores. Esta abordagem direta é surpreendentemente bem-sucedida, mesmo com infratores conhecidos. Os criminosos por vezes têm um talento especial para se gabarem, e simplesmente perguntar-lhes o que fazem e como o fazem levou muitos investigadores a descobertas perspicazes. A realização de entrevistas abertas, em oposição a uma pesquisa, tem maior tendência a permitir um diálogo significativo e a busca de tópicos recém-aproveitados resultantes desse diálogo. Oferece aos analistas a oportunidade imediata de buscar esclarecimentos e documentação de apoio. Entenda, porém, que essas técnicas de pesquisa qualitativa exigem mais tempo e energia, portanto, se você as estiver considerando, faça-o da maneira certa – sistemática e metodicamente. Faça boas anotações de campo, documente suas descobertas e armazene-as de uma maneira que seja passível de consulta e obtenção de informações posteriormente.


[1] Evitando-se desta forma a revitimização e a vitimização terciária.

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    Como citar este texto

    FOUREAUX, Rodrigo. Análise Criminal Qualitativa. CJPol, Brasília/DF. Disponível em: <https://cjpol.com.br/seguranca_publica/analise-criminal-qualitativa/>. Acesso em: 21/10/2026.