Introdução à Geografia do Crime
A busca pelas causas que conduzem pessoas ao cometimento de delitos é tarefa à qual se dedicam acadêmicos e profissionais de diversas áreas. No âmbito da criminologia, diversos fatores foram levantados como sendo hipóteses que influenciam no aparecimento e concentração do fenômeno criminal e que conduziram à elaboração de modelos que revelam fatores particulares.
Diversas teorias criminológicas são destinadas a explicar o que motiva pessoas a cometerem atos criminais. Estas teorias buscam nas origens biológica, psicológica, sociológica, cultural, econômica, dentre outras, as razões porque pessoas querem ofender, desviar ou quebrar a lei. Muito menos comuns são as teorias que tentam explicar o evento criminoso na sua totalidade.
Dentro das possíveis abordagens sobre o fenômeno criminal, de acordo com “criminologistas ambientais” (environmental criminolists) um crime consiste de quatro elementos:
a) uma lei;
b) um ofensor (delinquente);
c) um alvo;
d) um lugar
(BRANTINGHAM; BRANTINGHAM, 1981).
Num breve panorama sobre as teorias explicativas para a causação do crime, Cano e Soares (2002) delimitam cinco grupos de abordagens:
a) teorias que tentam explicar o crime em termosde patologia individual;
b) teorias centradas no homo economicus, isto é,no crime como uma atividade racional demaximização do lucro;
c) teorias que consideram o crime comosubproduto de um sistema social perverso oudeficiente;
d) teorias que entendem o crime como umaconsequência da perda de controle e dadesorganização social na sociedade moderna; e
e) correntes que defendem explicações do crimeem função de fatores situacionais ou deoportunidades (CANO; SOARES, 2002, p.3).
A moderna sociologia criminal não se limita a ressaltar a importância do “meio” na gênese da criminalidade, senão que contempla o fato delitivo como “fenômeno social” e pretende explicá-lo em função de um determinado marco teórico. Esta sociologia tem um duplo entroncamento: o europeu, vinculado a Durkheim, de tipo academicista e o norte-americano, identificado com a Escola de Chicago, a partir da qual surgiram diversos esquemas teóricos e que concentrou suas investigações nos problemas sociais do momento.
As teorias da criminalidade inclinaram-se para a sociologia, independente de suas premissas filosóficas e metodológicas e boa parte do sucesso dos modelos sociológicos baseia-se na sua utilidade prática, já que tais teorias partem da premissa que o crime é fenômeno social muito seletivo, estreitamente ligado a certos processos e estruturas, as quais permitem o isolamento de variáveis.
Para a análise do crime, os geógrafos aplicam técnicas de estatística espacial, que contribuem para a compreensão da estruturação e do rearranjo espacial da criminalidade (BATELLA; DINIZ, 2006). Tais técnicas se mostram muito úteis do ponto de vista acadêmico no entendimento do fenômeno, bem como para planejamento e implementação de políticas públicas para prevenção, controle e combate ao crime e à violência.
Como possibilidade aplicação teórica e metodológica à Geografia, tem-se o campo da geografia teórico-quantitativa, em que é possível construir modelos a serem utilizados na análise dos sistemas geográficos, os quais são dispostos de forma teórica e devem ser verificados e validados com dados de campo, a partir de técnicas estatísticas (CHORLEY; HAGGETT, 1967). Nesse contexto, o estudo dos padrões de distribuição espacial dos fenômenos passa a formar uma base para estudos quantitativos do espaço.
