Atuação policial junto a comunidades tradicionais

Antônio Hot Pereira de Faria   1 INTRODUÇÃO A atuação estatal em territórios ocupados por povos e comunidades tradicionais demanda uma abordagem jurídica e ética sensível à pluralidade normativa que caracteriza essas coletividades. Quando o poder público intervém — seja por meio de políticas de segurança, levantamento de dados, cadastramento populacional ou identificação de lideranças —, não lida apenas com indivíduos isolados, mas com sujeitos coletivos de direito, cujas identidades são forjadas por cosmologias, espiritualidades e estruturas normativas próprias. Nessas situações, a imposição unilateral de normas do direito estatal, sem diálogo e sem o devido consentimento livre, prévio e informado (CPLI), pode representar não apenas uma infração administrativa, mas uma violação à própria dignidade coletiva e ao direito à autodeterminação. A Teoria dos Princípios, formulada por Robert Alexy (2015), oferece um marco racional para lidar com colisões entre normas constitucionais, a partir da técnica da ponderação entre princípios como dignidade, legalidade, segurança pública e diversidade cultural. Contudo, essa ponderação exige uma ampliação hermenêutica nos contextos multiculturais, em que diferentes sistemas normativos — consuetudinários e estatais — coexistem com eficácia social própria. O direito, nestes casos, precisa ser interpretado à luz do pluralismo jurídico, que reconhece a legitimidade de normas derivadas […]

O impacto do trabalho policial na família

Rodrigo Foureaux Resumo O trabalho policial está entre as ocupações mais exigentes do ponto de vista físico, psicológico e social. Este texto tem como objetivo examinar criticamente os principais impactos psicossociais que a atividade policial acarreta na vida familiar dos profissionais de segurança pública. Foram analisados estudos científicos extraídos de diversas bases de dados, com critérios de inclusão específicos e recorte temporal definido, totalizando 12 artigos analisados. Os achados revelam que a natureza imprevisível, os altos níveis de estresse e a exposição constante a situações de risco impactam negativamente os relacionamentos conjugais, as práticas parentais e a saúde mental dos próprios policiais e de seus familiares. A discussão temática mostrou que os conflitos conjugais, a ansiedade familiar, os efeitos do estresse ocupacional no lar e a dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal são recorrentes. Além disso, observou-se que o apoio organizacional e familiar, quando presente, desempenha papel atenuante. Conclui-se que políticas institucionais voltadas à saúde ocupacional e familiar são essenciais para promover o bem-estar e a funcionalidade familiar dos policiais. Introdução O exercício da atividade policial é caracterizado por uma confluência de fatores estressores que incluem exposição recorrente a situações de risco, exigências operacionais imprevisíveis e permanente vigilância situacional. […]

Flexibilização do Coque nas Forças Policiais: Um Debate entre Saúde Ocupacional, Segurança e Cultura Institucional

Rodrigo Foureaux   1. Introdução A obrigatoriedade do uso do coque como padrão de penteado para policiais femininas sempre foi tratada como um elemento de padronização estética, disciplina e imagem institucional nas instituições militares estaduais. No entanto, esse mesmo elemento, aparentemente inofensivo, tem se tornado objeto de debates sobre saúde ocupacional, segurança e reconhecimento das particularidades de gênero dentro da estrutura policial. Recentemente, a flexibilização dessa exigência em alguns estados, como Santa Catarina, provocou reações diversas entre policiais, gestores e a sociedade em geral. Em um ambiente normalmente regido por hierarquia e tradição, abrir espaço para a revisão de normas aparentemente simples — como um penteado — pode representar um divisor de águas na forma como tratamos a dignidade e o bem-estar dos profissionais da linha de frente. A discussão ganhou grande repercussão pública, com um vídeo específico sobre o tema publicado no instagram @c.j.pol em 12 de maio de 2025, que ultrapassou 351 mil visualizações, atingindo 247 mil contas e gerando 28.767 interações, das quais 1.141 foram comentários — a base da análise deste texto. Um dado especialmente relevante é que 97,9% dessas interações partiram de pessoas que não seguiam o perfil original, o que demonstra a amplitude do […]

Intervenções com pessoas em surto de saúde mental

1. INTRODUÇÃO As interações entre a polícia e indivíduos com problemas de saúde mental e deficiências intelectuais/de desenvolvimento são demandas recorrentes que, apesar de não constituírem, a priori, questões de segurança pública, acabaram por desaguar nos órgãos policiais para intervenções imediatas. Estima-se que entre 6% e 10% de todas as interações entre a polícia e o público nos Estados Unidos envolvam indivíduos com transtornos mentais graves (serious mental illnesses – SMI), segundo levantamento de Livingston (2016). Aproximadamente 29% das pessoas com SMI nos Estados Unidos tiveram o envolvimento policial como parte do caminho para o cuidado (Livingston, 2016). Além disso, estudos apontam que ao menos um em cada quatro indivíduos mortos por policiais nos EUA tinha um transtorno mental grave diagnosticado (Fuller et al., 2015; Lowrey et al., 2015). Nos Estados Unidos, há um elevado número de prisões de pessoas com doenças mentais, o que gera sua superrepresentação no sistema carcerário: enquanto compõem entre 5% e 7% da população geral, representam 17% da população carcerária (Compton; Watson, 2020). Desse total, 72% apresentam comorbidades com transtornos relacionados ao uso de substâncias (Ditton, 1999; Steadman et al., 2009; Teplin; Abram, 1996). Relatórios indicam que dois milhões dos treze milhões de entradas anuais em […]

Revisão bibliográfica de mortes decorrentes de intervenção de agente do Estado

1 Introdução As mortes por intervenção de agentes do Estado representam um fenômeno de grande complexidade no campo da segurança pública e dos direitos humanos. A dinâmica dessas ocorrências suscita debates acadêmicos, sociais e políticos, sobretudo no que tange à proporcionalidade do uso da força, à transparência nas operações policiais e à efetividade das políticas de controle e prevenção do fenômeno.  A iniciar pela própria nomenclatura que define o fenômeno já se percebe a dimensão das abordagens e prismas de pontos de vista. A expressão midiática e amplamente utilizada em trabalhos acadêmicos é letalidade policial. Não obstante, a normatização do Ministério da Justiça e Segurança Pública adotou ao longo do tempo com uma evolução terminológica. Por meio da Resolução nº 08/2012, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana recomendou a não utilização dos termos “auto de resistência” e “resistência seguida de morte”. Em 2018, a Portaria MJ Nº 229 define a terminologia como morte por intervenção de agente do estado. Em 2021, a Resolução Nº 6 versa sobre o envio e divulgação de dados estatísticos pelos integrantes do SINESP – Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. Dentre os dados a serem enviados deve constar “morte por intervenção […]

Justiça procedimental como elemento de legitimidade e respeito aos direitos humanos

1 Introdução A legitimidade da atuação policial tem sido objeto constante de reflexão nas ciências sociais e jurídicas, particularmente no que tange à sua relação intrínseca com os direitos humanos e com a justiça procedimental.  O conceito de justiça procedimental refere-se à percepção de que as ações das autoridades são conduzidas de maneira justa, transparente e imparcial, contribuindo significativamente para a construção e manutenção da legitimidade das instituições perante a sociedade (Tyler, 1990; Sunshine; Tyler, 2003). Esta abordagem pressupõe que a legitimidade não depende exclusivamente da eficácia dos resultados obtidos pela polícia, mas sobretudo do modo como as decisões são tomadas e comunicadas à população (Bottoms; Tankebe, 2012; Tyler; Fagan, 2008). Autores como Tom Tyler (2006; 2011) destacam que a percepção pública de equidade nas interações policiais influencia diretamente a disposição das pessoas em cooperar com as autoridades e a reconhecer sua autoridade legítima. Esse reconhecimento é fundamental para assegurar o cumprimento voluntário da lei e minimizar conflitos entre a polícia e os cidadãos (Mazerolle et al., 2013; Bradford; Jackson; Hough, 2014).  Ademais, pesquisas empíricas demonstram que intervenções policiais pautadas na justiça procedimental também tendem a reduzir a ocorrência de violações aos direitos humanos, na medida em que favorecem uma […]

Controle externo da atividade policial no Brasil: Aspectos legais e desafios

1 Introdução O controle externo da atividade policial é um instituto constitucionalmente instituído com o objetivo de assegurar o cumprimento rigoroso das funções de segurança pública dentro dos parâmetros legais, éticos e de respeito aos direitos fundamentais. Sua existência emerge como resposta à histórica preocupação com eventuais abusos cometidos pelas instituições policiais, cuja atuação é constantemente submetida ao escrutínio público e institucional. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, ao atribuir essa função ao Ministério Público, buscou dotar o Estado de um mecanismo capaz de conferir legitimidade e credibilidade às forças policiais, ao mesmo tempo que buscou prevenir e reprimir abusos e desvios de conduta que possam comprometer a própria essência do Estado Democrático de Direito. Todavia, mesmo com previsões constitucionais e legais claras, persistem desafios significativos na efetivação plena e eficiente desse controle. A atuação policial, pela sua própria natureza, frequentemente ocorre em cenários de tensão social, risco iminente e conflito potencial, características que impõem dificuldades práticas à efetivação plena e eficaz da fiscalização externa pelo Ministério Público. Não raro, surgem críticas tanto quanto à eficácia quanto à real capacidade operacional deste órgão em fiscalizar adequadamente instituições policiais que atuam de forma descentralizada e frequentemente submetidas a contextos complexos […]

Mais prisões implicam em menos crimes?

1 INTRODUÇÃO A relação entre o aumento das prisões e a redução dos índices de criminalidade tem sido objeto de intensos debates acadêmicos e políticos ao longo das últimas décadas. Uma das hipóteses centrais é que o aumento do encarceramento pode influenciar na prevenção de novos delitos de duas formas principais: pela dissuasão e pela incapacitação de criminosos. Primeiramente, a teoria criminológica da dissuasão postula que a punição certa, rápida e severa pode reduzir a criminalidade ao aumentar o risco percebido de captura e penalização pelos potenciais infratores (Beccaria, 1764; Nagin, 2013). Ao considerar que a percepção de risco é um fator determinante para a tomada de decisão racional, o aumento no número de prisões pode atuar como um freio psicológico para a prática de atos criminosos. Estudos empíricos indicam que a maior probabilidade de punição está correlacionada com a redução de determinados tipos de crimes, especialmente os delitos patrimoniais (Durlauf; Nagin, 2011). Em segundo lugar, a incapacitação de criminosos prolíficos é um dos principais mecanismos pelo qual o aumento das prisões pode impactar a criminalidade. Pesquisas demonstram que uma parcela significativa dos crimes é cometida por um pequeno número de infratores recorrentes, cuja remoção temporária da sociedade pode reduzir […]

Segurança Pública como papel do Estado: Concepções teóricas do monopólio estatal e propostas pluralistas

1 INTRODUÇÃO A segurança pública como papel essencial do Estado constitui um tema central e amplamente debatido nas ciências sociais e jurídicas, evidenciando a pluralidade de perspectivas teóricas que sustentam diferentes entendimentos sobre sua legitimidade e alcance. Diversas correntes teóricas abordam a questão, com destaque para o contratualismo, o monopolismo estatal, o funcionalismo e a teoria da governança, que convergem na defesa do papel indispensável do Estado na manutenção da ordem e da segurança coletiva. Para autores contratualistas como Hobbes, Locke e Rousseau, a segurança é um pilar do pacto social, sendo o Estado o ente responsável por garantir a vida e a liberdade dos indivíduos (Hobbes, 2002; Locke, 1998; Rousseau, 2003). Essa concepção é reforçada por Weber (2004), que define o Estado como a instituição que detém o monopólio legítimo do uso da força física, assegurando, assim, a estabilidade social. De forma complementar, Durkheim (2007) atribui ao Estado a função de preservar a coesão e a ordem social, essenciais à sobrevivência da sociedade. Entretanto, perspectivas críticas e relativistas questionam a centralidade do Estado na segurança pública, apontando para a possibilidade de opressão ou dominação de classe por meio do controle estatal. Nesse sentido, o anarquismo, representado por Bakunin e […]

Gerência de locais como ferramenta de prevenção criminal

 1 INTRODUÇÃO O estudo dos lugares de crime desloca o foco tradicional da criminologia, que priorizava o comportamento individual ou comunitário, para a análise das interações entre as características ambientais e os eventos criminais. Essa abordagem concentra-se em microespaços, como esquinas, edifícios e trechos de rua, ao invés de áreas amplas, como bairros ou comunidades, conforme argumentado por Eck e Weisburd (2015). Essa perspectiva busca compreender como as características físicas e sociais de um local, bem como as atividades rotineiras nele realizadas, interagem para possibilitar ou inibir a ocorrência de delitos. A centralidade do ambiente físico no estudo da criminalidade é fundamentada em evidências que destacam a relação entre as características espaciais e a ocorrência de crimes. Eck e Weisburd (2015) apontam que fatores como a localização de estabelecimentos comerciais, a densidade populacional e o nível de vigilância influenciam significativamente os padrões criminais. Além disso, as estratégias de controle do crime baseadas em lugares, como as intervenções em hot spots, demonstram um impacto direto na redução de delitos em locais específicos (Weisburd et al., 2012). A literatura criminológica incorpora teorias que estruturam o estudo dos lugares de crime, como a teoria da escolha racional, a teoria da atividade rotineira e […]

Ethos Guerreiro vs Ethos Guardião nas polícias e seus impactos

 1 INTRODUÇÃO A dualidade entre os ethos “guerreiro” e “guardião” nas polícias configura um tema central na discussão sobre a identidade e o papel das forças de segurança em sociedades democráticas. Enquanto o ethos guerreiro privilegia uma abordagem combativa e focada na repressão ao crime, o ethos guardião enfatiza a conexão com a comunidade, a resolução pacífica de conflitos e o respeito aos direitos humanos. Essa dicotomia não apenas molda a cultura organizacional das polícias, mas também impacta diretamente as percepções e relações entre agentes de segurança e cidadãos. A mentalidade guerreira, enraizada em práticas militarizadas e em uma visão adversarial do público, muitas vezes contribui para o isolamento social dos policiais e a escalada de conflitos. Por outro lado, o ethos guardião, ao promover o engajamento comunitário, busca consolidar a confiança e a colaboração entre as partes. Contudo, a coexistência desses dois modelos dentro das forças policiais reflete a complexidade de uma cultura ocupacional influenciada por fatores históricos, sociais e institucionais. O treinamento policial e as políticas públicas exercem papel determinante na perpetuação ou transformação dessas mentalidades. Instituições que reforçam táticas agressivas e incentivam posturas combativas tendem a dificultar a adoção de práticas mais inclusivas. Alternativamente, reformas no currículo […]

Modelo de Polícia: Polícia Judiciária de Portugal

Polícia Judiciária de Portugal SÉRGIO CARRERA NETO “Para combater a corrupção, o efeito do sal é impedir a corrupção.” Padre Antonio Vieira. A Republica Portuguesa, denominação oficial de Portugal, e um pais soberano unitário localizado no sudoeste da Europa cujo território se situa na zona ocidental da Península Ibérica e em arquipélagos no Atlântico Norte. O país tem uma área total de 92 090 km2, com fronteiras ao Norte e leste com Espanha e ao Sul e Oeste com o Oceano Atlântico. Compreende uma parte continental e duas regiões autônomas que são os Arquipélagos dos Acores e da Madeira. Portugal, com população de 10.562 milhões de habitantes, e a nação mais ao ocidente do continente europeu. A origem do seu nome vem de sua segunda maior cidade – Porto, cujo nome latino–celta era Portus Cale. A Policia Judiciaria de Portugal (PJ) e o corpo superior de policia criminal do pais, organizado hierarquicamente e subordinada do Ministro da Justiça. E um serviço central da administração direta do Estado dotado de autonomia administrativa. Dentre as atribuições principais da instituição estão as de conduzir a investigação criminal no pais, combater o crime organizado, terrorismo, trafico de entorpecentes, corrupção, criminalidade econômica e financeira e […]

Modelo de Polícia: Polícia Nacional do Senegal

Policia Nacional do Senegal (Police Nationale du Senegal) SÉRGIO CARRERA NETO “Dans l’honneur au service de la loi.”[1]   A Republica do Senegal e um pais da África Ocidental que faz fronteira com o Oceano Atlântico a oeste, coma Mauritânia ao Norte e ao Leste, com o Mali, também ao leste e com a Guine e a Guine-Bissau no seu limite ao sul. O pais deve o seu nome ao rio Senegal, que faz fronteira com ele para o leste e para o sul e sobe no Futa Jalom, uma região montanhosa na Guine. O clima e tropical e seco com duas estacoes: a estação seca e a estação chuvosa. O Senegal e uma republica semipresidencialista unitária com uma área total de 196.712 km2 e conta com uma população aproximada de 15,4 milhões (Censo de 2018), cerca de 42% dos quais vivem em áreas rurais. O Estado possui duas instituições nacionais que atuam na segurança publica: a “Policia Nacional” (Police Nationale) e a “Gendarmeria[2]  Nacional” (Gendarmerie Nationale Sudanaise)[3] , que lidam com os mesmos tipos de crimes. A principal diferença entre elas e que, originalmente, a Policia tem como responsabilidade territorial as áreas mais urbanas e cidades com maior densidade […]

Modelo de Polícia: Serviço Nacional de Polícia do Quênia

Serviço Nacional de Policia do Quênia (Kenya National Police Service) SERGIO CARRERA NETO “Utimishi kwa Wote”[1] A República da Quênia e um pais da África Oriental que se tornou independente do Reino Unido em 12 de dezembro de 1963. Sua população e de, aproximadamente, 45 milhões de habitantes, e tem em Nairóbi, capital do pais, sua cidade mais populosa e importante com 3.1 milhões de habitantes. O Quênia é uma República Presidencialista e o maior centro comercial e econômico da região (África Central e Oriental), tendo em seus 580.347 km2 de extensão territorial inúmeros patrimônios culturais do continente, sendo muito conhecido pelos famosos safaris que lá são realizados, os parques nacionais, o Lago Victoria e o lar de umas das tribos mais antigas da Africa, os “Masai Mara”. O Serviço Nacional de Policia (National Police Service – NPS) do Quênia e uma instituição policial nacional com atribuições de segurança pública, responsável por todos os tipos de policiamento no pais. De natureza completamente civil, teve toda sua designação de patentes substituída em 2012, deixando de ser a “Forca Policial do Quênia” (Kenya Police Force – KPF) para adotar conceitos e filosofias mais modernas de policia democrática — o de prestar serviço a […]

Modelo de Polícia: Agência Nacional de Polícia da Mongólia

Agência Nacional de Polícia da Mongólia (National Police Agency of Mongolia – Монгол Улсын Цагдаагийн Ерөнхий Газар)  SÉRGIO CARRERA NETO “Police are people who spend their whole time for you instead of own family” Baatarjav. S.[1] A República da Mongólia e um pais localizado na Ásia e faz fronteira com a Rússia e a China. Conta com uma população estimada em 3,0 milhões de habitantes, o que torna o país um dos menos densamente demográficos do planeta, com 1.564,116 quilômetros quadrados. A capital e maior cidade, Ulan Bator, abriga quase a metade da população. O antigo Império Mongol foi o maior já existente na historia e ao longo dos últimos séculos o pais recebeu grande influencia dos vizinhos comunistas com quem faz fronteira, tendo sua própria revolução democrática com o colapso da União das Republicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1990, quando incluiu um sistema multipartidário. A Mongólia e hoje uma república semipresidencialista. A Agencia Nacional de Policia da Mongólia (ANPM — policia nacional) e o órgão principal de segurança pública do país. Subordinada ao Ministério da Justiça e Assuntos Internos, é a principal organização de aplicação da lei na Mongólia. A Polícia é assistida pela Direção das Tropas Internas da […]

Modelos de Polícia: Polícia Helênica

Polícia Helênica (Hellenic Police – Ελληνική Αστυνομία) “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos” Pitágoras A República Helênica, mais conhecida como Grécia, é um país europeu com cerca de 11 milhões de habitantes. Atenas é a sua capital e maior cidade do país. Considerada o berço da civilização ocidental, a Grécia deu origem à democracia, a filosofia e a literatura ocidental, os jogos olímpicos, a ciência política, dentre tantos aspectos importantes que o mundo contemporâneo segue até os dias atuais. A Polícia Helênica foi criada em 1º de janeiro de 1984, após a junção dos dois órgãos policiais em atividade no país: a Gendarmeria (instituição tipo “polícia militar” — Chorofylaki) e a Astynomia Poleon — a polícia urbana (assemelhada à uma “polícia civil”), tornando-se então a única instituição policial da República Helênica, que tem um caráter eminentemente civil, incluindo seu estatuto e legislação. Atualmente seu efetivo previsto é de 55 mil profissionais. Com a junção, o novo órgão foi incumbido, como responsabilidade maior e básica, de assegurar a paz e a ordem através do exercício das atividades gerais de polícia, inclusive com relação à segurança do tráfego; prevenção e a repressão da criminalidade; garantia da proteção […]

Modelo de Polícia: Departamento de Xerifes do Condado de Los Angeles, EUA

O Departamento de Xerifes do Condado de Los Angeles (Los Angeles County Sheriff’s Department)  SÉRGIO CARRERA NETO “A violência como forma de alcançar a justiça racial é impraticável e imoral. Eu não desconsidero o fato de que a violência muitas vezes traz  resultados momentâneos. As nações frequentemente conquistaram sua independência na batalha. Mas, apesar das vitórias temporárias, a violência nunca traz paz permanente.” Martin Luther King Jr. O Condado de Los Angeles é mais populoso dos Estados Unidos da América, sendo o município de Los Angeles a cidade com maior densidade demográfica do Estado da Califórnia e a segunda maior do país, com 3,8 milhões de habitantes, ficando atrás apenas de Nova Iorque. O Condado, que engloba a região metropolitana de Los Angeles, é composto de 88 municípios e conta com quase 10.500 m2 de área e 18 milhões de habitantes, além de uma grande diversidade cultural devido ao alto número de imigrantes de todo o mundo. O Departamento de Xerifes do Condado de Los Angeles (Los Angeles County Sheriff’s Department – LASD) é um órgão policial de segurança pública com caráter civil. É a instituição policial responsável diretamente pelo policiamento ostensivo de 44 dos 88 municípios do Condado. Os […]

Modelo de Polícia: República da Coreia

Agência Nacional de Polícia da Coreia (Korean National Police Agency – 경찰청) “Processo de paz não pode retroceder.” Ban Ki-moon A República da Coreia, mais conhecida como Coreia do Sul, é um país localizado na Península da Coreia, na Ásia Oriental, que se tornou um país independente após sua separação da República Democrática Popular da Coreia (Coreia do Norte), em 1945. Sua população está estimada em torno de 52 milhões de habitantes e tem Seul como sua capital e maior cidade, com 10 milhões de habitantes, concentrando assim, 20% da população total. É atualmente a 13ª maior economia do mundo e considerada como um país desenvolvido e uma das mais avançadas tecnologicamente no planeta. A Agência Nacional de Polícia da Coréia (ANPC) é a única instituição policial do país e sua sede está localizada na região central de Seul. A estrutura da ANPC está prevista no instituto chamado “Lei da Polícia” e as funções e responsabilidades estão previstas no Police Act (Lei de Desempenho dos Policiais Coreanos). A ANPC está estruturada em 18 comandos regionais, distribuídos em cidades metropolitanas e províncias com 255 Unidades (em nível de Batalhão PM/Brasil, para fins de correspondência), 518 subunidades (em nível subunidades/companhias PM/Brasil) e […]

Modelos de Polícia: Polícia de Fronteira da Bosnia e Herzegovina

A Polícia de Fronteiras da Bósnia e Herzegovina (Granična Policija Bosne i Hercegovine) SÉRGIO CARRERA NETO “The war, even the longest, only shakes up the issues that led to the war and leaves their solution to the times that occur after the conclusion of peace.” Ivo Andric[1] A Bósnia e Herzegovina é uma república parlamentarista federal tripartida, composta pela Federação da Bósnia e Herzegovina, a República da Srpska (República da Sérvia, que é parte do território e não o país Sérvia, apesar do mesmo nome) e o Distrito de Brčko, que é autônomo. A Bósnia e Herzegovina é resultante da dissolução da Iugoslávia e tem três idiomas oficiais: o bósnio, o sérvio e o croata, que compõem os três principais grupos étnicos do país. Sua população é praticamente dividida ao meio, sendo 50% cristã e 50% muçulmana. O país declarou sua independência em 1992, gerando uma guerra civil de gigantesca proporção que causou a morte de mais de 200 mil pessoas, levando o horror ao mundo com o terrível genocídio executado entre os anos de 1992 e 1995. Sua capital, Sarajevo, conta aproximadamente 400 mil habitantes de um total um pouco menor de 4 milhões de pessoas que habitam o […]

Modelos de Polícia: Polícia Federal da Alemanha

Polícia Federal da Alemanha (Bundespolizen) SÉRGIO CARRERA NETO “O silêncio diante do mal é o próprio mal” Dietrich Bonhoefer A República Federal da Alemanha é um país da Europa Central que conta uma população aproximada de 82,7 milhões de habitantes, sendo a nação mais populosa do velho continente. A Alemanha é uma república parlamentar federal composta por 16 estados (Länders), com superfície de 357.409 km2 e está entre as maiores economias e potências do mundo, com liderança científica e tecnológica no cenário internacional e desfrutando de um alto padrão de vida e segurança social. A Segunda Guerra Mundial trouxe resultados catastróficos para o país, cuja participação desastrosa resultou na morte de quase dez milhões de militares e civis alemães e o país foi dividido em dois territórios, um controlado pela França, Reino Unido e Estados Unidos (que se fundiram e criaram a República Federal da Alemanha – RFA, em 23 de  maio de 1949), e outra parte controlada pela União Soviética, que se tornou a República Democrática da Alemanha – RDA, mais conhecidas como “Alemanha Ocidental” e “Alemanha Oriental”, deixando essa condição com a fusão, ou seja, sua  reunificação em 1990, com a queda do símbolo maior da guerra fria […]